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Cartão de Crédito: freando a bola de neve


27/08/2008


Pagar o valor mínimo da fatura do cartão de crédito pode ser o início de uma tragédia financeira. Quem está nessa situação deve ter muita paciência para enfrentar a renegociação.

Virou lugar comum chamar as dívidas dom cartão de crédito de “bola de neve”. A expressão continua sendo usada por falta de outra mais adequada: como acontece com as tais bolas nos desenhos animados, a dívida cresce a cada vez que gira. A trajetória transforma algo que era pequeno e plenamente controlável em instrumento para uma tragédia em potencial. O mesmo ocorre com o cartão.

Quem não consegue pagar suas dívidas precisa buscar uma saída para evitar o superendividamento, que é como especialistas têm chamado a situação de pessoas que acumulam débitos bem superiores à sua capacidade de pagamento. “O pior que a pessoa pode fazer é pagar, durante meses seguidos, a taxa mínima do cartão [que equivale a 10% da fatura]. Isso porque os 90% restantes vão continuar rolando e sobre o valor serão acrescentados juros, que são altos”, diz o vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac), Miguel de Oliveira. Em julho, segundo a Anefac, a média de juros do cartão de crédito ficou em 10,42% ao mês, inferior apenas à média das financeiras, que ficou em 11,30%.

Se a situação já está complicada, é preciso muita calma para resolvê-la. A primeira alternativa é trocar a dívida por uma mais barata, pedindo um empréstimo pessoal, por exemplo. “Você troca um juro de cerca de 10% ao mês por um de 5%. Mas isso vale para quem consegue se controlar e sabe que a dívida foi um fato isolado”, alerta Oliveira.

Para quem escolhe essa opção, o indicado é buscar o banco em que tem conta – ao qual é ligado o cartão, normalmente – e ter muita paciência na negociação. “O banco vai querer empurrar algo mais caro. É preciso bater o pé até que ele dê alguma alternativa. Nesse caso, aquela pessoa que já é inadimplente geralmente consegue melhores condições”, afirma.

Se o banco se negar a dar o empréstimo, a saída é tentar renegociar a dívida diretamente com o credor – no caso, a administradora do cartão de crédito. Nesse processo de renegociação é muito importante ficar atento às condições e parcelas que se está para assumir. “Primeiro é preciso ter o parâmetro de quanto era o valor da dívida no começo. Depois, barganhar muito. O devedor é que estipula as condições que pode pagar”, alerta o vice-presidente da Anefac.

Dentro das alternativas para quitar a dívida ainda existem as financeiras. Historicamente, elas têm os maiores juros do mercado, mas pode haver exceção. O planejador financeiro Raphael Cordeiro lembra que recorrer a um empréstimo bancário ou crédito consignado é uma opção mais barata, mas ainda há a possibilidade de refinanciar o carro ou fazer empréstimo em financeiras. “Vale a pena olhar o valor das parcelas, porque há instituições que cobram juros baixos, mas pedem uma taxa de serviço alta”, alerta.

Mas todo esse esforço vai por água abaixo se não houver uma mudança de comportamento. Para alguns, é melhor cancelar o cartão de crédito depois que a dívida for quitada. “Existem problemas eventuais e problemas crônicos de endividamento. Para o superendividado permanente não adianta achar soluções financeiras, é preciso uma mudança de comportamento”, lembra Cordeiro. O endividamento independe do padrão de vida da pessoa: qualquer um pode ter dificuldades se não planejar corretamente seus gastos.

Por onde começar

Três passos indicados por especialistas para quem precisa se livrar do peso das dívidas.

- Saber quanto se deve e para quem. Lembrar de ter em mãos o valor inicial da dívida, antes dos juros e multas acrescentados por falta de pagamento.

- Verificar no mercado as possibilidades de empréstimos, prestando atenção aos juros e ao valor final das parcelas. É uma boa idéia trocar uma dívida maior por uma menor escolhendo uma opção com juros mais baixos, como o crédito consignado ou empréstimos pessoais.

- Se não conseguir o empréstimo, buscar a renegociação da dívida diretamente com o credor (a nova parcela precisa caber no orçamento).



Fonte: Gazeta do Povo

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